“Eu amava meu amigo, mas amava muito mais o rabo do namorado dele”
O conceito de fidelidade na sociedade pós-moderna-contemporânea é meio inexistente. Não existe mais um conceito padrão. No mundo gay esse conceito assumiu formas impensáveis. No começo do ano eu transei com um casal de namorados bem interessante. Eles tinham suas regras próprias: transar com outros só se fossem juntos, não beijar e não fazer sexo oral. O terceiro elemento teria apenas que:
a) chupá-los
b) dá o cu
E eu fiz toda essa pompa. Mamei o caralho dos dois e dei pros dois. Um deles tinha um pau grande e grosso, quis logo ser o primeiro. Me comeu como quem não comia um prato diferente do habitual havia anos. Elogiava meu rabo e fazia uma pressão do caralho. Mas quando me botou de frango assado, gozou tão rápido que eu fiquei frustrado. A minha sorte é que tinha outro esperando na fila.
Isso é fidelidade pra vocês? Não! Mas é a fidelidade deles. Fidelidade pra você entra no conceito de monogamia carnal? Possivelmente! Mas o fato é que no nosso mundo queremos que nossos namorados sejam fiéis carnalmente a nós, contanto, muitas vezes passa por nossas cabeças ir pra cama com outros e mesmo assim não será uma traição porque o que rolou foi apenas sexo, não sentimento. Todos querem trair, mas ninguém quer ser traído.
Não existem relacionamentos amorosos gays. Existem “contratos de convivência para o caso de haver longa duração”. É o típico exemplo que tenho dos caras bonitos, sarados, machos, que vivem juntos, criam um cachorro labrador, correm no park todos os finais de semana, malham de segunda a sexta, vão para as baladas e traem secretamente, trasando com garotinhos e guardando esse segredo um do outro, sendo que na verdade ambos sabem, mas fingem não saber. E por que não param? “Ah, por que eu não sei se ele vai parar, e se só eu parar, só eu passo a levar chifre”, comentou Emerson comigo com um certo tom de tristeza, deixando claro pra mim que estav cansando de tudo aqui.
Mas eles se amam. Eles se gostam. Eles sabem que se terminarem precisarão passar por todo um processo de busca e novo contrato que é desgastante e possivelmente sem sucesso. Ser gay é ter liberdades que dificilmente queremos reprimir durante a juventude. E como também somos paradoxais, vale uma frase de Rafinha Bastos: “quando estamos solteiros queremos casar, quando estamos casados, queremos morrer”.
Eu já tive dois namoros, que não vale falar aqui no momento. Mas no primeiro eu fui traído e trocado, e no segundo eu fudi loucamente com uma dúzia de outros garotos, mas eu amei o desgraçado em questão e não consegui me apegar a mais ninguém além dele. Ele sabia disso, e ainda assim me aceitou. O motivo do fim quem sabe eu conto depois.
Se relacionamentos são complicados, definir o conceito de fidelidade é mais ainda. Fidelidade não possui mais conceito próprio, a porra do dicionário não serve pra mais caralho algum, fidelidade é algo que vem de dentro de uma relação. Cada relação define o que é esse elemento tão essencial. O seu conceito não serve pra outro casal, embora todos se vejam ainda sobre o peso da definição original.
Conheci Adrien já faz uns 6 meses. E ele é impressionante. É um garoto de quase 23 anos que parece ter 17, é lindo, inteligente, engraçado, diverto, arrogante, prepotante, convencido e extremamente orgulhoso. Ou seja, o tipo que me encanta. Ele trabalha para uma grande empresa de transportas e viaja pelas sedes. Nos conhecemos na primeira vinda dele, mas só tivemos contato mesmo na segunda.
Ele me convidou para ir ao seu hotel no domingo passado. Eu fui e tivemos uma tarde muito agradável entre conversas idiotas, inteligentes e xingando o Faustão. Adrien tem namorado, há quase dois anos, usam alianças e tudo. E Adrien realmente ama aquele garoto. Mas só porque ele o ama não significa que isso limite Adrien a conhecer o Brasil “de verdade”. E bem, o clima esquentou e tivemos uma transa incrível e eu senti gosto por come-lo como fazia tempo não sentia gosto por fuder.
Depois disso dei uma carona para Adrien ao banco Real e sabia que não iria mais vê-lo. Uma pena! Ele tem um lindo sorriso acompanhado de um sotaque mais bonito ainda de Cuiabá. Um idiota cuiabense, mais um pra coleção dos idiotas com que eu transo e são de fora da cidade. Adrien é o tipo de garoto que eu poderia namorar se ele não fosse isso que ele se tornou. Mas não da pra ter pena do namorado dele. Os dois são assim e se aceitam. É a forma de viver deles. Ao mesmo tempo, eles não poderiam viver de outra maneira com outras pessoas. Por isso se amam.
Talvez no fim, esse seja o conceito de fidelidade, se dedicar em definitivo, somente a uma pessoa.
