domingo, 19 de dezembro de 2010

Décimo Primeiro Ato: Sobre como se convida o coração para dançar


Existe uma regra quando o assunto é minhas transas com Seixas: ele vai arranjar um namorado assim que sair do meu apartamento.

Eu não ficaria nem um pouco chateado com isso se não fosse o fato de que:
a) Seixas quando namora não trai nem por questão sexual, e
b) É com Seixas que eu tenho um dos melhores sexos da minha vida

Seixas é um famoso e conceituado bailarino. Seu corpo é fisicamente incomparável. Nunca subestimem um bailarino, em sua gigantesca maioria possuem um porte físico surpreendente, delicioso, aliado a um plus que é a necessidade de estarem 100% depilados, e geralmente são sensacionais de cama. Com as habilidades de trabalho que possuem, só devem perder para os ginastas olímpicos quando o assunto é a elasticidade na hora do sexo.

Mas o que eu quero falar aqui não é isso na verdade.

Todos querem relacionamentos. Isso é uma regra essencial, com raríssimas exceções. E ate eu, que defendo imensamente a bandeira do sexo livre, sem limites e o extravasar da libido, de vez em quando tenho minhas recaídas.

O caso de Seixas é interessante. Ele engata um relacionamento atrás do outro. Fracassos monumentais devo frisar. Dos quais eu não tenho nenhuma pena, principalmente porque eu sei que a maneira que ele tem de se confortar é sentar no meu pau e provar que sua elasticidade é capaz de me enlouquecer a ponto de socar seu cu por mais de uma hora em diversas posições, sentir que não vou gozar nunca e achar que isso é a melhor coisa do universo.

Mas quantas pessoas vocês conhecem igual a Seixas? Quantas pessoas são desesperadas por relacionamentos a ponto de se entregarem plenamente ao primeiro que aparece?

Uma amiga minha defende a ideia de que para entrar em um relacionamento você tem que estar primeiramente disposto. Esse é o passo numero um. E embora pareça fácil, não é. De fato, namorar significar abrir mão de liberdades individuais em troca de experiências prazerosas que você não é capaz de ter sozinho.

E se você realiza esse procedimento dentro da sua vida com a pessoa errada, o fracasso sera retumbante. E a capacidade de se relacionar com outrem, numa nova tentativa se torna gasta, difícil, pois um fracasso atrás dos outros nos leva a acreditar que o amor não existe. Então há um primeiro momento de tristeza, depois entrá numa depressão que pode existir para sempre, ou... você descobre que dá sim pra ser feliz sem o amor (hum... isso meio que soou como desabafo, mas conversaremos melhor depois sobre).

Alertei Seixas sobre isso depois que transamos. Antes eu estava ocupado saboreando seu cu, um botão rosa lindo no meio de duas pernas extremamente fortes e rígidas por coxas grossas.

Ele ficou um tanto chateado comigo, mas Seixas tem uma vantagem pessoal sobre as outras pessoas. A dança. Os relacionamentos pra ele são mais um hobby, uma coisa legal, mas que ele pode viver sem, pois seu profissionalismo dedicado a dança e sua técnica pessoal, o que lhe rendeu uma bolsa de estudos na Europa recentemente (sim, meu pau está de luto) é surpreendente e invejável. Mas e quem não tem esse discernimento?

Fica naquela primeira opção que eu divulguei aqui. A depressão por não ser capaz de engatar um relacionamento que de certo.

Quanto a mim... bem, o amor e eu somos como o relacionamento entre um conhecido padre e seu amigo defensor do Darwinismo. Nos damos bem porque temos grande carinho e simpatia, mas temos divergências gigantescas, principalmente dele comigo, mesmo que no momento elas não interfiram tanto na minha vida.

A não ser quando lembro daquele que possui o mais belo de todos os sorrisos e que foi responsável por eu acreditar que talvez tenha encontrado a pessoa da minha vida e por esse exato motivo eu ter fugido dele para longe, bem longe. Mas essa é uma outra história, de um ato da minha vida que ainda não está exatamente fechado para ser contato...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Décimo ato: Navegando num mar de névoas

Antes de explicar o meu sumiço, eu devo explicar o que me levou a sumir.

Eu havia conhecido um cara. Ele ficou fazendo charme pra mim por muito tempo, queria ir pra cama comigo, fazia mil e uma propostas. Até que um dia eu aceitei. Sexo fácil, ele tinha cara de gostosinho bom de cama, eu tava com o corpo implorando por sexo, uma coisa leva a outra e eu não sou dos que tem muitos pudores.

Fui ao seu apartamento, tomei banho com a porta aberta para que ele pudesse ver meu corpo nu, a água escorrendo pelas minhas tatuagens. Me enrolei na toalha e sai, cheguei aos seus pés na cama e disse: “Preciso continuar com a toalha?”. Ele então a tirou da minha cintura, me jogou na cama e me comeu socando tanto seu pau em meu cu que a cada porrada eu sentia suas bolas batendo na porta do meu rabinho e meu grito ecoava pelas paredes junto ao gemido dele como um lobo no cio acompanhando o ritmo.

E foi após gozar que começou um momento de puro terror na minha vida.

Alguém bateu na porta. Ele mandou eu me esconder. Eu não entendi nada. Eu fiquei nu debaixo da cama. A porta foi aberta. Quem entrou me viu. E eu fui socado, chutado e ameaçado com uma faca enquanto minha testa sangrava.

Sim, era o marido dele. Não, eu não sabia que ele era casado.

E eu fugi, corri nu pelos corredores do prédio, com minha bermuda em mãos. Fui para o meu carro, dei a partida e parti sem olhar pra trás.

Quando eu cheguei no meu apartamento, fui direto para o meu quarto, enchi a banheira, desliguei a luz e fiquei lá, chorando por pelo menos duas horas, em choque. Quando eu consegui sair, me olhei no espelho, limpei meu corte na sobrancelha, coloquei um band aid, uma camiseta e fui para o meu quarto pegar um moleton. Foi quando eu dei de cara com meu moleton Herchcovitch que eu parei, vi que tudo na minha vida estava uma merda e que eu não poderia conviver com aquilo.

Arrumei minha bolsa e em 20 minutos estava saindo de casa deixando um único bilhete na porta da geladeira para meu pai e irmão, o primeiro que chegasse.

“Fui para São Paulo. Não sei quando eu volto.”

Sim, eu fugi.

O que se sucede é uma série de rápidos acontecimentos. Eu indo para o aeroporto, conseguindo uma passagem no primeiro vôo disponível, ligando para uma grande amiga paulista dos tempos de faculdade incompleta pedindo abrigo, meu pai me ligando desesperado e tentando me impedir a todo custo, meu irmão me ligando em seguida e brigando comigo imensamente além de me chamar de louco, embarque imediato, portas em automático e eu deixando minha cidade e indo para onde eu pudesse me sentir bem. Sampa!

No avião acabo adormecendo um pouco. Quando acordo, dou de cara com o mar logo abaixo e suas ondas pequenas perto do litoral de Santos. Ver o mar e não poder fazer parte dele. Vocês podem não compreender, mas é uma sensação horrível, a sensação de falta de liberdade. Chorei novamente.

E então por um lapso, eu levantei a minha cabeça. Por que infernos eu estava sofrendo tanto? Caralho, eu sempre tive o mundo e tudo o que eu quis aos meus pés. Por que infernos eu estava me deixando abater por aquela agressão, por que eu estava me deixando cair num ato de tamanha covardia? E foi então que eu me senti como eu sempre me senti de novo, como se nada fosse impossível pra mim.

O avião pousou em Congonhas. Na porta do aeronave eu perguntei a aeromoça onde havia um lixeiro, ela me indicou. Tirei meu band aid da testa e joguei fora. No saguão do aeroporto, enquanto procurava meus óculos de sol na mochila, dei de cara com Kayla, minha amiga.

“O que aconteceu com sua testa?”

Achei meu óculos finalmente e o coloquei no rosto, abrindo um sorriso maravilhoso de alivio.

“Nada, coisas de um idiota que eu preciso destruir.”

“Idiota? Destruir? Do que diabos você esta falando, Jacinto? Primeiro me liga mal daquele jeito e agora tá ai como se nada tivesse acontecido. Sabe como eu fiquei preocupada? Quem foi que fez isso na sua testa?”

“Ah, o nome dele é Renato, e eu já disse, relaxa, eu vou destruir ele”, acendi um Marlboro Light do lado de fora já, “Mas agora que eu estou em São Paulo, vamos nos divertir um pouco. E acima de tudo, eu preciso ver o mar antes de voltar”.

PS: eu ainda estou em Sampa. Devo me alongar por um tempo aqui ainda.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nono ato: entenda, eu não quis te ver voar

“Se você prefere procurar drogas a noite toda, faça bom proveito, eu estou indo embora”

Eu virei as costas, bêbado, tinha enchido ate o rabo de tequila, as chaves do meu carro balançando na minha mão. Ele segura a minha mão, bêbado também, e me vira.

“Venha comigo para a Bolívia amanhã. Eu sei que você pode”

Eu deixo a resposta clara nos meus olhos, mas a boca se movimenta sozinha.

“Depois de hoje, eu sinto muito. Não conseguirei mais olhar pra você e me sentir eu mesmo. A...” eu vacilo, “Adeus”

E foi assim que eu o vi pela última vez.

Eu dirijo e mesmo extremamente embriagado faço um caminho perfeito ate o meu prédio. Porém, destruo metade da minha garagem. E depois que o susto passa, fico lá, dentro do carro amassado, sozinho, no escuro, chorando.

Eu não estava nem pensando em ir pra cama. Eu queria ter pego um taxi, voltado praquela balada, agarrado ele pelo braço e gritado pra que qualquer um ouvisse.

“Será que você não entende? Eu estou apaixonado por você. Não vai embora, por favor.”

Mas ele foi. Ele e seus lindos olhos verdes, sua barba por fazer, seu cabelo sempre bagunçado e despenteado, sua pele alva, seus doces lábios avermelhados.

E ele tinha aquele poder absurdo de me fazer eu não me sentir eu mesmo. Durante uma semana que estivemos juntos, eu o pegava a noite, íamos para cidades vizinhas passar a noite, pegamos ate mesmo um vôo para Floripa e voltamos no mesmo dia. Queimavamos dinheiro. Eu não queria ele na minha cidade, cercado das pessoas que me conheciam, vítima do olhar de intrigas e questionamentos que me lançavam.

Eu poderia amá-lo. Longe do resto. Ele passava a mão pelo meu corpo nu e sussurrava:

“Meu Deus, você é lindo”

Ele me deitava sobre seu peito e acariciava meus mamilos, enquanto eu bagunçava ainda mais os seus cabelos.

Ele acordava no meio da madrugada. Não percebia que eu estava acordado também. Virava de costas, pegava a minha mão, me puxava e colocava meu braço por cima do seu corpo. Ai ele acordava e dizia:

“Nossa, porque você está encima de mim?”

E eu ria

“Foi porque você me puxou”

Ele era encatador, sabia disso, e usava muito bem.

Estava a trabalho. E tinha o poder de seduzir qualquer um. Qualquer um! Todos o amavam instantaneamente ao momento que lhe trocavam palavras. Todos queriam ele por perto. E só Deus sabe a sorte que eu tive de lhe ser apresentado, pois ele estava envolvido por uma conversa chata, com uma pessoa chata, por muitas vezes eu levantei de sua mesa, mas voltava, pois ele já havia me conquistado, e sem nunca entender porque, eu havia conquistado ele.

“Esta vendo aquelas meninas no balcão? Elas deram encima de mim. E aquele garoto alto, forte, também”

Eu me intriguei

“E por que não ficastes com eles?”

“Porque eu apontei você para eles e disse, ‘esta vendo aquele garoto ali? Ele é meu namorado’”

E riu lindamente, cinicamente, e eu o beijei pela primeira vez.

Ficaria apenas uma semana. A trabalho. Viajava o país inteiro. Era a cidade numero 217 que ele estava. Mesmo sendo a primeira vez na minha, o que me surpreendera. E ele só dava atenção a mim.

E lembro quando chegamos em seu hotel. De madrugada. Vazio. Ele caiu na piscina e eu fiquei na beira, só olhando-o, ambos bêbados, mas completamente lúcidos. Ele riu, eu ri, e pedi um beijo. O som do corpo dele se movimentando na água vagarosamente era a única coisa que trilhava nosso momento, e com lábios gelados ele tocou mais uma vez os meus.

Mas ele é um pássaro livre. Um brilho que nunca seria igual dentro de uma gaiola. E claro, tinha o problema com as drogas. Mas e daí? Eu também uso. As drogas eram só uma desculpa. Para terminar tudo mais cedo. Para que acima de tudo, eu não visse aquele pássaro batendo suas asas douradas e cruzando o céu enquanto eu sempre estaria ali, dentro do mar.

“Um pássaro e um peixe podem se apaixonar, mas aonde eles iriam se amar?”

E por um raro momento, em toda a minha vida, eu quis ter asas.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Oitavo ato: carne trêmula

Os melhores relacionamentos são aqueles que são impulsivos. Aqueles em que nada além do sexo selvagem descontrolado existe. Aqueles em que a única coisa que os une é a carne.

E lógico, ninguém assume isso.

Todos querem “um amor que goste de cachorros”. Isso é bem interessante. Quando se pergunta para alguém quem você quer para ter ao seu lado ate que a morte os separe, a resposta é sempre diferente, mas sempre significando a mesma coisa: alguém que tenha afinidade e os mesmos gostos que você. Quando se pensa em alguém quando se quer um amor, a primeira cena que vem na sua cabeça é a de estar abraçado a dois num dia frio, nunca a de dois corpos nus, suados, sobre um calor de 40°, transando feito animais e cobertos com a sujeira do próprio sexo sem nem se importar com isso.

O que eu acho mais lindo nos casais gays são quando eles dizem que: o sexo não é importante. Ao mesmo tempo, quando seus relacionamentos vão mal, a primeira coisa afetada é o sexo. Porque o sexo é sempre o termômetro de uma relação. É por isso que eu também não acredito (e nem respeito, diga-se de passagem) relacionamentos a distancia. Sexo é um dos elementos que unem as pessoas, sem sexo, onde está o relacionamento?

Se o seu relacionamento não tem sexo e ainda assim rola, então não temos amor aqui, temos um contrato de convivência. Mas isso é assunto pra mais tarde. O assunto aqui é sexo sujo que não é sujo.

Arfaro é um rapaz que teve vários relacionamentos, mas o mais marcante dele é um que ele teve com um cara que tinha namorado. E é interessante ver os olhos dele quando ele conta essa historia. Seguinte: Arfaro conheceu um jovem e bonito médico que já namorava um outro jovem e bonito médico. As transas desse cara com Arfaro eram sempre vulcânicas. O sexo entre os dois era muito poderoso. Arfaro sempre prometia que seria a última vez, mas não era, e sempre que eles se viam, e alguma conversa mais seria surgia, eles começavam a suspirar, ofegar, o pau ficava duro, logo um estava engolindo o cacete do outro com tanta ferocidade que ate os pelos da base eram sugados.

E após seis meses, vocês devem pensar que o jovem e maravilhoso medico largou seu namorado por Arfaro. Claro que não! Por que ele largaria um rapaz inteligente, de família rica, belíssimo, de futuro promissor só para ficar com Arfaro? Só porque eles fudiam incontrolavelmente? Na verdade isso deveria ser um motivo bastante sólido, mas nem passava pela cabeça do medicozinho. Por quê? Por que o status de relacionamento que ele tinha com o outro nunca seria o mesmo com Arfaro, um técnico, meio gordinho, com uma voz meio afeminada, enfim, fora dos padrões.

A maioria dos viados estão tão focados na procura pelo padrão que nos é jogado na cara, que esquecem o essencial: a intensidade de se viver algo. Hoje em dia não importa se a intensidade funciona, importa se você tem status de relacionamento. Por acaso eu sai em público com o rapaz que tinha um cu tão quente que levava meu pau a gozadas espetaculares? Nunca! Ele é desempregado, não conhece uma roupa de marca e usa chinelos o tempo todo. Mas eu fiz questão de ir na balada mais cara com o rapaz fofinho, jogador de futebol, sarado, que tinha um Honda Civic, mas que estava descobrindo o mundo gay agora, me comia mal e não beijava bem.

Ah, por favor, eu não sou hipócrita. Hipócrita é quem não assume isso!

De fato, ao meu ver, quem nunca viveu um relacionamento como o de Arfaro, nunca viveu um relacionamento de verdade. Não é a questão do relacionamento com traição e filha da putagem, você é um idiota se entendeu isso, é questão da intensidade.

Na metade do ano passado, com 20 anos, eu conheci um ator de teatro de 16, o Junior. E eu, que nunca havia ficado com alguém mais novo, me envolvi num relacionamento absurdamente tórrido e sexual. Foram as melhores trepadas, aquelas em que meu corpo ficava suado, molhado, aquelas em que a gente esquece camisinha, não ta nem ai pra KY, vai cuspe mesmo. Aquele tipo de relacionamento que quando você esta junto você tira o pau pra fora, pede pra engolir, não tem carinhos, não tem palavras doce, tem luxuria, tem prazer.

Depois rolavam os carinhos, as conversas, os risos. E também as brigas, os bate bocas, os palavrões e toda a raiva que apenas um garoto de 16 anos muito gostoso e intenso pode proporcionar. Enfim, foi uma experiência gratificante. Me senti renovado pra encarar muitos mais gays idiotas depois dela porque esse era top dos tops idiotas.

Enfim...

Acho que um dos grandes problemas do mundo gay é essa loucura de idealização. Os gays acreditam muito mais nessa historia de príncipe encantado do que as garotinhas fãs dos vampiros feitos de Cristais Swarovski. E lembrem-se que é você que acima de tudo escolhe como você vai viver a intensidade da sua vida. Eu já escolhi a minha. É uma escolha considerada errada pela maioria das pessoas, mas tem funcionado até certo ponto.

PS: desculpem o tempão sumido. Depois da Bahia fui passar o réveillon em Floripa, depois fui em Buenos Aires, agora estou me recuperando de uma forte dengue no Rio de Janeiro onde devo ficar até o carnaval. Mas agora volto com força total!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sétimo ato: das histórias que eu guardo pra admirar os amigos


Contexto: Final da festa Hell & Heaven, Costa do Sauipe. Eu estou muito, mas muito bêbado! Eu estava me esfregando metade da festa com um garoto lindo, cabelos extremamente negros, olhos azuis e pele branca, lisinha, com muitas pintinhas, que desde que havia visto me passava uma estranha, porém gostosa sensação. A gente vai pra pousada onde eu estou hospedado com alguns amigos. Caímos na cama, começamos os amassos, e o efeito do álcool começa a passar. E sim, eu tava com um puta tesão e não ia sair da Hell & Heaven sem transar com ninguém. Ai ele estava por cima de mim, beijando, beijando, quando se afastou um pouco e...

Eu: Acho que te conheço de algum lugar.

Ele: Sério? De onde?

Eu: Não sei...

Ele avança pro meu pescoço, e geralmente esse é um ponto fraco, mas mesmo assim, aquilo está estranho.

Eu: Sério, eu te conheço de algum lugar.

Ele (parando, respirando fundo e fazendo cara de ódio): Então... de onde?

E foi ai que caiu a ficha, porque eu já tinha visto aquela mesma cara de raiva antes, a diferença era que...

Eu: Seus cabelos já foram loiros?

Ele (ok, com uma carinha um pouco assustada): Já... até pouco tempo, pintei.

Eu: Cara, nós já transamos.

Ele: TÁ DOIDO, GURI? QUANDO?

Eu: Em Floripa, carnaval do ano passado.

Ele: CARALHO! É VERDADE.

Obs: eu preciso ressaltar que em nenhum momento dessa conversa ele havia saído de cima de mim e assim continuava, só o pau dele não estava mais duro, o que também não me admirara.

Ele: É que você ta diferente.

Eu: Andei malhando (ok, rolou um pouco de Deca)

Ele: Então... vamos parar por aqui?

Eu: Ta brincando? Você me comeu muito bem.

Ele dá uma risada e a gente voltou aonde havia parado.

Mas não, ele não transa tão bem não, mas porra, se eu fosse contar essa história pra alguém mais tarde eu precisava desse final.

domingo, 29 de novembro de 2009

Sexto ato: os extremos da Terra

Existe um paradoxo entre o mundo gay e as baladas que cresce com uma velocidade absurda e aos poucos toma conta de muitos: quanto mais você sai à noite para uma balada, mais você volta frustrado para casa e menos é a sua vontade de parar com isso.

A primeira vez que vamos em uma balada gay não só é inesquecível como é sempre marcante. É marcante porque estamos nervosos, é marcante porque tudo nos é desconhecido, é marcante porque somos carne nova, é marcante porque todos nos desejam com a vontade de nos sugar algo que não existe mais neles, um último rastro de algum tipo estranho de “inocência” que nós só vamos dar conta que realmente tínhamos depois que a perdemos.

Mas é ao longo do tempo que deixamos de ser um destaque e passamos a ser mais um na multidão, com raras exceções. E mesmo saindo com os amigos, com desconhecidos, beijando, transando, curtindo, dançando, bebendo até vomitar, sempre sentimos uma incompreensão, uma frustração, um vazio. De fato, aquele lugar não é capaz de nos satisfazer mais, não é capaz de nos tornar plenos.

E é a partir daí que enfiamos os pés pelas mãos, que fazemos besteiras, que nunca acordamos “felizes” no dia seguinte, e é exatamente por esse caminho que aos poucos nos tornamos o que não gostaríamos de ser. Nos tornamos pessoas que seguem a regra de um estúpido jogo que não tem ganhadores.

Durante a semana eu havia sido convidado por umas amigas que não via há algum tempo para sairmos à noite num bar bem badalado, famoso pelas pessoas ricas, bem vestidas e música alta e animada, além de uma azaração bem bacana e idiota que apenas os garotos da classe média alta e que confiam em suas posses como atrativos pras mulheres são capazes de fazer. Não é um ambiente gay, mas o público GLS é marcante.

Achávamos que seria uma boa noite até percebemos que estavam testando uma banda de música folk e embora ela estivesse funcionando para geral, estava me dilacerando por dentro. O jeito foi improvisar! Garrafas de Heineken, muito Marlboro Filter Plus, gargalhadas histéricas, conversas sobre sexo. E isso faz parte de um jogo que querendo ou não todos jogamos. Você não está se divertindo, mas tem que fingir estar, ou ninguém irá te notar. No mundo em que a publicidade tornou todos felizes através do photoshop, uma tristeza sincera não cativa ninguém.

Foi então que na saída da parte comunal do banheiro (o belo espaço onde homens e mulheres lavam as mãos, uma sacada bem interessante para baladas héteras) que eu encontrei ele, Terra, como eu costumo chamá-lo mentalmente, pois na verdade esse é apenas seu sobrenome. E é difícil descrever, é uma situação que envolve uma grande quantidade de pequenas coisas que se eu fosse descrever daria um texto enorme...

Então vamos aos fatos:
a) Terra é lindo, e eu não falo de lindo, lindo sou eu, Terra é magnífico, tem um porte fantástico, atrativo, impossível de resistir.
b) Fomos apresentados no começo do ano por um amigo em comum. Hilariamente, antes de sermos apresentados, Terra falava de mim pelos cotovelos. Tivemos um ótimo encontro, apenas com uma boa conversa, e eu viajei no dia seguinte, o que não fez que nos víssemos mais.
c) Onde nos víamos ele fazia toda as formalidades que alguém que quer te encantar faz, e com uma naturalidade assustadora e revoltante. Ele parece perfeito, mas...
d) Ele é dono de um lado obscuro que é doentio, que me dá medo e me fascina.

Exato, Terra é o raro exemplar de pessoa que aos nossos olhos parece ser perfeito, mas que na intimidade é um monstro amendrontador. As coisas que eu ouvia dele eram impressionantes, intimidadoras, bizarras, nojentas. De fato, ele parece ser pior do que eu, com a diferença que eu não escondo tanto meu jeito natural de ser. E assim como qualquer homem, sinto medo das trevas e sou fascinado por elas. E assim é com Terra.

Nos cumprimentamos. Ele sempre apontando aquele sorriso pra mim que mais parece uma arma de destruição em massa. Alargando ele cada vez mais enquanto me cumprimenta e eu usando de todas as minhas forças para resistir ao seu encanto absurdo, descomunal, exagerado.

E então temos uma “dança de cruzar e pegar”, um ritual de acasalamento mais elaborado que qualquer outro que você assiste no Animal Planet, onde no mundo cheio de tipos, temos dois que estão sempre na moda, malham, tomam suplementos, se encontram, flertam, finalmente estão transando e nunca mais tem notícias um do outro, sendo que na verdade, ambos estão com o telefone na mão, esperando receber “aquela” ligação, mas sem coragem de ligar.

E foi isso o que aconteceu com Terra em seguinte? Não! Eu resisti, eu fui forte. O que aconteceu foi passarmos metade da noite um do lado do outro, sem falar uma palavra, cada um no seu grupinho. Isso que aconteceu acima rolou com o Wander, na outra metade da noite, que nem vai entrar nessa história no momento, porque não importa se eu fudi feito uma prostituta sedenta com o Wander, essa história é sobre o lado negro de um raro rapaz que ainda meche comigo, como se eu fosse um viadinho de 12 anos me descobrindo.

Sinceramente, eu ainda espero contar minha história com Terra aqui. Não agora, apenas quando eu me sentir pronto pra enfrentar seu lado negro. E claro, aquele sorriso estilo bomba atômica.

domingo, 15 de novembro de 2009

Quinto ato: o conceito irreal de fidelidade e monogamia

“Eu amava meu amigo, mas amava muito mais o rabo do namorado dele”

O conceito de fidelidade na sociedade pós-moderna-contemporânea é meio inexistente. Não existe mais um conceito padrão. No mundo gay esse conceito assumiu formas impensáveis. No começo do ano eu transei com um casal de namorados bem interessante. Eles tinham suas regras próprias: transar com outros só se fossem juntos, não beijar e não fazer sexo oral. O terceiro elemento teria apenas que:

a) chupá-los
b) dá o cu

E eu fiz toda essa pompa. Mamei o caralho dos dois e dei pros dois. Um deles tinha um pau grande e grosso, quis logo ser o primeiro. Me comeu como quem não comia um prato diferente do habitual havia anos. Elogiava meu rabo e fazia uma pressão do caralho. Mas quando me botou de frango assado, gozou tão rápido que eu fiquei frustrado. A minha sorte é que tinha outro esperando na fila.

Isso é fidelidade pra vocês? Não! Mas é a fidelidade deles. Fidelidade pra você entra no conceito de monogamia carnal? Possivelmente! Mas o fato é que no nosso mundo queremos que nossos namorados sejam fiéis carnalmente a nós, contanto, muitas vezes passa por nossas cabeças ir pra cama com outros e mesmo assim não será uma traição porque o que rolou foi apenas sexo, não sentimento. Todos querem trair, mas ninguém quer ser traído.

Não existem relacionamentos amorosos gays. Existem “contratos de convivência para o caso de haver longa duração”. É o típico exemplo que tenho dos caras bonitos, sarados, machos, que vivem juntos, criam um cachorro labrador, correm no park todos os finais de semana, malham de segunda a sexta, vão para as baladas e traem secretamente, trasando com garotinhos e guardando esse segredo um do outro, sendo que na verdade ambos sabem, mas fingem não saber. E por que não param? “Ah, por que eu não sei se ele vai parar, e se só eu parar, só eu passo a levar chifre”, comentou Emerson comigo com um certo tom de tristeza, deixando claro pra mim que estav cansando de tudo aqui.

Mas eles se amam. Eles se gostam. Eles sabem que se terminarem precisarão passar por todo um processo de busca e novo contrato que é desgastante e possivelmente sem sucesso. Ser gay é ter liberdades que dificilmente queremos reprimir durante a juventude. E como também somos paradoxais, vale uma frase de Rafinha Bastos: “quando estamos solteiros queremos casar, quando estamos casados, queremos morrer”.

Eu já tive dois namoros, que não vale falar aqui no momento. Mas no primeiro eu fui traído e trocado, e no segundo eu fudi loucamente com uma dúzia de outros garotos, mas eu amei o desgraçado em questão e não consegui me apegar a mais ninguém além dele. Ele sabia disso, e ainda assim me aceitou. O motivo do fim quem sabe eu conto depois.

Se relacionamentos são complicados, definir o conceito de fidelidade é mais ainda. Fidelidade não possui mais conceito próprio, a porra do dicionário não serve pra mais caralho algum, fidelidade é algo que vem de dentro de uma relação. Cada relação define o que é esse elemento tão essencial. O seu conceito não serve pra outro casal, embora todos se vejam ainda sobre o peso da definição original.

Conheci Adrien já faz uns 6 meses. E ele é impressionante. É um garoto de quase 23 anos que parece ter 17, é lindo, inteligente, engraçado, diverto, arrogante, prepotante, convencido e extremamente orgulhoso. Ou seja, o tipo que me encanta. Ele trabalha para uma grande empresa de transportas e viaja pelas sedes. Nos conhecemos na primeira vinda dele, mas só tivemos contato mesmo na segunda.

Ele me convidou para ir ao seu hotel no domingo passado. Eu fui e tivemos uma tarde muito agradável entre conversas idiotas, inteligentes e xingando o Faustão. Adrien tem namorado, há quase dois anos, usam alianças e tudo. E Adrien realmente ama aquele garoto. Mas só porque ele o ama não significa que isso limite Adrien a conhecer o Brasil “de verdade”. E bem, o clima esquentou e tivemos uma transa incrível e eu senti gosto por come-lo como fazia tempo não sentia gosto por fuder.

Depois disso dei uma carona para Adrien ao banco Real e sabia que não iria mais vê-lo. Uma pena! Ele tem um lindo sorriso acompanhado de um sotaque mais bonito ainda de Cuiabá. Um idiota cuiabense, mais um pra coleção dos idiotas com que eu transo e são de fora da cidade. Adrien é o tipo de garoto que eu poderia namorar se ele não fosse isso que ele se tornou. Mas não da pra ter pena do namorado dele. Os dois são assim e se aceitam. É a forma de viver deles. Ao mesmo tempo, eles não poderiam viver de outra maneira com outras pessoas. Por isso se amam.
Talvez no fim, esse seja o conceito de fidelidade, se dedicar em definitivo, somente a uma pessoa.